Kerlz-u-een (Controlados)

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Kerlz-u-een é uma cidade da região sudoeste de Heelum, cujo centro está localizado na junção do Rio Joss com o Rio dos Oniotos, que dá origem ao Rio do Sul. As jirs se espalham para o sul e para o norte, algumas delas baseadas em campinas, plantações e criações de animais, enquanto outras baseiam-se em uma adequação total ao ambiente da floresta. A cidade possui um dos portos mais importantes de Heelum, o Porto Fluvial ao norte do jir central - que serve como a porta de entrada mais acessível para o sudoeste a partir da Cidade Arcaica. Em na-u-min, Kerlz-u-een significa "cidade das árvores".


Pronúncia do nome da cidade ("Querlzuin")

Fundação[editar]

No recorte do mapa de Heelum, Kerlz-u-een aparece à direita.

Kerlz-u-een foi a segunda cidade a ser fundada em Heelum, a primeira logo após a Cidade Arcaica, pioneira no período da Primeira Guerra. Pensada como um posto avançado de defesa, as primeiras construções foram alojamentos simples e uma pequena torre de observação, já utilizando os recursos florestais pouco conhecidos pela maioria das pessoas que nunca haviam se aventurado por lugares tão longínquos antes.

Uma cidade tática, foi organizada de maneira técnica, pensada com o objetivo de fortalecer o grupo que havia dispersado por aquele caminho e preparar para um contra-ataque, recuperando a cidade destruída do Yutsi Rubro. Politicamente falando, isso gerou uma organização voltada para sublideranças responsáveis pela segurança e por um eventual planejamento do contra-ataque que, efetivamente, nunca aconteceu. Isso se deu em parte devido à grande discussão com Enr-u-jir, Al-u-een e Roun-u-joss, um debate conhecido como dilema do retorno: deveriam eles gerir a cidade tendo como horizonte um retorno à cidade original, ou já construir um lugar que lhes serviria de lar permanente?

Parte do grupo da cidade foi destacado para reconhecer o terreno mais ao sul, a fim de gerar uma nova localização segura caso o Yutsi os seguisse até ali. As famílias, que costumavam ser grandes grupos, foram se dividindo para utilizar mais confortavelmente as casas vazias do grupo que iniciou a viagem rumo ao sul, o que deu início a uma tradição familiar de grupos mais nucleares.

Estabilização[editar]

A cidade foi se tornando cada vez menos provisória e positivamente permanente; como todas as outras em Heelum, foi se diversificando. Kerlz-u-een se arrogou um papel cartográfico e em termos de registro histórico proeminente, ainda que à época tal função tenha sido igualmente desenvolvida por Kor-u-een, Al-u-een e Enr-u-jir.

A cidade desenvolveu bastante a caça e a agricultura, além da tecnologia relativa a arcos e flechas, com características especiais para que pudessem caçar os gigantescos oniotos, aves da região.

Nova ameaça e reconquista da Cidade Arcaica[editar]

As notícias quanto a novas movimentações do Yutsi Rubro atuaram decisivamente sobre Kerlz-u-een, uma das cidades mais próximas da Cidade Arcaica. O surto militarístico em relação à organização de defesas levou a uma grande produção e circulação de armamentos entre as cidades.

Autossuficiente em termos de produção de armamentos, Kerlz-u-een, embora deles não precisasse, formou uma delegação que protagonizou um momento histórico: a primeira vez desde a separação no início da Primeira Guerra que pessoas de cidades diferentes se encontravam fisicamente. O encontro se deu na recém-fundada (e ainda pouco organizada) Imiorina, com um grupo vindo de Rirn-u-jir. Uma colonização mais ampla da cidade no deserto seria, inclusive, empreitada de Kerlz-u-een e Rirn-u-jir, tempos depois.

A cidade emergiu da fase das aventuras como uma reconhecida potência agrária e comercial; num tom secundário, militar. Participou ativamente da Reconquista da Cidade Arcaica, uma vez que foi a base de operações sul na investida final contra a cidade.

Segunda Aurora[editar]

O desaparecimento da Rede de Luz causou um grande prejuízo à vocação comercial da Kerlz-u-een, advinda principalmente de sua posição privilegiada: com as viagens repentinamente interrompidas, a cidade viu essa vantagem ser completamente neutralizada.

Apesar disso, sendo a cidade mais antiga e tendo se preocupado em desenvolver todos os aspectos de sua existência civil - preocupando-se com a defesa, mas também com a indepenência alimentícia e uma reserva de conhecimentos registrados nas bibliotecas - sofreu menos do que outras com o período.

Sendo uma cidade cujo transporte fluvial é essencial, manteve uma boa comunicação com as outras cidades, especialmente as do sul, assim que elas construíram portos que as conectassem ao Rio do Sul. O governo da cidade, já então composto por mestres cujo prestígio descendia da guerra de reconquista da Cidade Arcaica, apoiou decisivamente o Concílio da Modernidade.

Da Terceira Aurora à Aurora da União[editar]

A cidade prosseguiu seu desenvolvimento estável pelas próximas fases da história de Heelum - passando pelo surgimento dos Minérios, da magia, pela ascensão e pela queda das doenças da noite de forma estruturalmente tranquila, com transições suaves de poder para as mãos dos magos ao final da Aurora da União.

Kerlz-u-een, inclusive, era organizada politicamente de acordo com uma monarquia cujo poder maior se concentrava no cargo do mestre. Um sucesso na área do comércio, a cidade se expandiu para dentro da floresta, gerando uma cultura e um modo de viver bastante únicos no continente.

Primeira Guerra Moderna[editar]

Apesar de tudo, Kerlz-u-een caiu com facilidade nas mãos do exército de Mosves durante a Primeira Guerra Moderna. Desacostumada à ameaça militar há eras, a estrutura defensiva da cidade já havia há muito sido defasada, e a falta de um exército muito organizado levou a novidade organizacional de Mosves a vencer e dominar a cidade.

"A casa ficava perto das copas das árvores mais altas que Lamar já vira em sua vida; sequoias eretas como soldados destemidos. [...] Não havia portas ou janelas; apenas lugares em que tábuas não foram postas. A diferença entre os cômodos era marcada por tiras de folhagens que balançavam quando alguém passava, devolvendo o distúrbio em leves cócegas, e aquilo que convencionou-se ser o quarto era atravessado do chão ao teto por um tronco de espessura média e textura doce. [...] Lamar se assustou quando ouviu um som esganiçado vindo do céu, parecendo terrivelmente próximo a eles. Quando o eco se acabou e a sombra do onioto passou, Lamar olhou para Kerinu com um sorriso conciliatório, buscando naquilo uma fatia de humor que fosse.

— Eu tinha me esquecido de como eles eram grandes."

A Aliança dos Castelos Ocultos, capítulo 56

A dominação não foi sentida de forma tão intensa: mantido no poder como subordinado a Mosves, o mestre da cidade cuidou para que as tropas invasoras não oprimissem o povo, inclusive os não-magos --- o que não foi de todo possível, mas constituiu um conjunto de intervenções que, mesmo limitadas, serviu para proteger as pessoas o quanto possível. Mosves, no entanto, não estava preocupado com a natureza de sua invasão: tomando por garantidas as cidades já derrotadas, ele estava preocupado demais com sua investida em Imiorina.

As tropas de Prima-u-jir desocuparam a cidade quando as derrotas acumulavam-se pelo norte e a cidade invasora precisava agora se defender contra o exército conjunto de Novo-u-joss, Imiorina e Inasi-u-een. Mesmo que a guerra não estivesse ainda acabada, o povo festejou a partida do exército invasor.

Segunda e Terceira Guerras Modernas[editar]

Kerlz-u-een não participou ativamente da Segunda Guerra Moderna: longe de seu território e com um mestre não muito disposto a reabrir as chagas do último problema relativo às guerras, Kerlz-u-een não se envolveu - embora, se o grupo que efetivamente o fizera não houvesse conseguido derrotar Fennvir a ajuda seria provavelmente tão esperada quanto exigida.

Já na Terceira Guerra Moderna a cidade, já mais preparada, foi palco de uma defesa passional contra uma tropa de Napiczar. Aproveitando bem o conhecimento do terreno e já tendo organizado seu exército em moldes similares ao "sonho" do governor espólico, a cidade conseguiu resistir à altura, até o momento da morte de Napiczar e da capitulação dos conflitos.

A grande consequência da Terceira Guerra, em Kerlz-u-een, foi a insistência, por parte do povo, da proibição da magia, que acabou sendo acatada pelo mestre da cidade.

O problema foi que logo se percebeu que a proibição formal não conseguiu coibir a magia de todo: os magos continuavam agindo, embora ocultos e mais cuidadosos. O descontentamento com essa desconexão entre discurso e prática fez de Kerlz-u-een um dos maiores centros de alorfos e filinorfos de Heelum, local em que uma certa efervescência revolucionária encontra proteção na complexidade das florestas.

Acontecimentos do primeiro livro[editar]

A cidade é visitada quando Kerinu liberta Lamar da prisão em Prima-u-jir e o traz para uma cabana na floresta - onde Kerinu exige que Lamar pratique magia, a fim de conseguir efetivamente se defender, se quiser continuar como companheiro de Myrthes e simultaneamente professor alorfo. É notável, como dito na seção anterior, que Lamar tenha se envolvido com os alorfos a partir do momento em que se mudou para a cidade (para estudar melhor a agricultura, ainda por cima).

Acontecimentos do segundo livro[editar]

Kerlz-u-een, já conhecida por uma cidade de grande tensão entre magos tradicionais, alorfos e filinorfos, vira um cenário turbulento quando da declaração da Guerra da União. Os magos rebeldes, tentando incitar a população a ficar contra a proposta, são abertamente reprimidos e perseguidos, e o discurso público é rapidamente construído para suportar a aliança ao Conselho dos Magos. Sangrando a derrota, muitos magos migram para Prima-u-jir a fim de ajudar o levante popular na cidade vizinha.

De qualquer forma, a cidade é essencial na dinâmica da Guerra. Suas tropas, ao suportar o sudoeste, não conseguem ajudar a Cidade Arcaica - mas são essenciais para conter, por exemplo, Kor-u-een.

Capítulos com a cidade como cenário[editar]

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